Teste 3: CABOS ZAVFINO SILVER DART & GOLD RUSH

Espaço aberto: MÚSICA INCOMPREENDIDA OU SIMPLESMENTE RUIM?
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Teste 2: CAIXAS ACÚSTICAS AUDIOVECTOR TRAPEZE REIMAGINED
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Fernando Andrette
fernando@clubedoaudio.com.br

Como escrevi no teste do toca-disco Zavfino ZV11X, eu conheci esse fabricante canadense primeiro acompanhando as discussões sobre a qualidade de seus cabos em fóruns internacionais.

E o que era a síntese das conclusões, era como podiam ter uma performance tão alta e custar muito menos que cabos conceituados mundialmente.

E o cabo mais citado nesses fóruns, era sempre o cabo de braço Gold Rush, em comparações com cabos muito mais caros e com longos anos de estrada.

Como sempre digo, quando uma marca começa a se destacar no cenário mundial, eu a coloco na lista de fabricantes a serem acompanhados de perto.

E isso às vezes pode levar meses ou anos.

E um pouco antes do Silvio da Audiopax nos comunicar ter pego a distribuição para o Brasil, eu já estava desejando dar um jeito de ouvir o Gold Rush, pois bem sei que um cabo de braço pode ser um upgrade tão consistente quanto uma cápsula. Pois já vivenciei essa realidade inúmeras vezes nos últimos trinta anos!

Já sobre a série top de linha – Silver Dart – não tinha muitas informações, devo confessar. Ainda que testes em mídias que leio, que batem muitas vezes com minhas avaliações, como a Mono & Stereo, já tivessem descrito esses cabos como impressionantes pela sua relação custo/performance.

Existem perguntas que são recorrentes dos nossos leitores, e quando esses têm a oportunidade de presencialmente tirar dúvidas, como no nosso último Workshop, caixas acústicas e cabos são os dois primeiros dessa lista.

E fico feliz em poder compartilhar com todos que desejam realizar upgrades nessas duas áreas, que nunca o universo hi-end esteve tão bem servido de opções para todos os gostos e bolsos.

Com a entrada dos fabricantes nacionais, as opções de cabos então cresceram exponencialmente!

Assim como eu sempre falo dos fabricantes de áudio autorais, ou ‘artesãos sonoros’, no segmento de cabos existem também os que compram matéria prima de terceiros e apenas aplicam suas ideias e conceitos na manufatura do cabo e existem os que possuem infraestrutura verticalizada, indo muito além de um montador de cabos.

A Zavfino faz parte deste grupo, em que cada condutor utilizado e a matéria prima escolhida (cobre, prata ou ouro), é extrudado dentro de sua própria fábrica, utilizando processos criados para obter o máximo possível de qualidade final, performance e durabilidade em cada cabo produzido.

As duas séries mais sofisticadas, a Silver Dart, composta de cabos de interconexão, cabo de caixas e força, e a Gold Rush com cabos de braços, são o resultado de quatro anos de desenvolvimento e testes, utilizando a exclusiva técnica de entrelaçamento H-Wound que utiliza um novo dielétrico de Grafeno em sua estrutura.

A construção desses cabos Zavfino passa por cinco etapas na produção. Na primeira etapa, é aplicado à matéria-prima um processo de extrusão através de uma matriz de cerâmica que cria o condutor de seu diâmetro final, que pode ser até 25 vezes menor que o diâmetro original do material bruto.

Neste refinado e complexo processo, é necessário o uso de diversos compostos químicos para controle da temperatura e da fluidez dos materiais.

A segunda etapa, visa a limpeza dos compostos utilizados na extrusão, pois podem criar pequenas alterações nas características da conectividade da fiação e reduzir sua confiabilidade após a aplicação da camada isolante.
Toda essa fiação passa, então, por uma câmara de limpeza ultrassônica que bombardeia estes condutores com várias frequências, removendo todos os resíduos da superfície do fio.

Na terceira etapa, são criados feixes de condutores que são submetidos a uma nova etapa de queima ultrassônica com alta tensão, o que proporciona aos cabos Zavfino um efeito de ‘amaciamento’ equivalente a 30 a 40 horas sob sinal de corrente.

A quarta etapa é chamada de tratamento Deep Cyro, e tem sua máxima eficiência pelo fato que os condutores ainda estão nus, pois o tratamento criogênico de materiais não condutores e isolantes pode fazer com que eles se quebrem e se tornem frágeis.

As pesquisas feitas pelo fabricante sobre criogenização, mostraram que a pureza, o tamanho e a estrutura molecular de cada condutor determinarão a temperatura específica a que eles serão criogenizados dentro da faixa de -180 a -196 graus.

E a quinta etapa, é o início da construção do cabo, definindo-se a fiação e o isolamento mais adequado para cada aplicação.

O que é o H-Wound?

Com base em quase duas décadas em fabricação de cabos, a Zavfino desenvolveu uma exclusiva técnica em que um fio é trançado firmemente ao redor de condutores de núcleo sólido a uma taxa nunca utilizada no mercado na fabricação de cabos.

Essa técnica, segundo o fabricante, elimina completamente os efeitos provocados pelo skin effect (quando as frequências mais altas tendem a se mover mais rapidamente pela parte externa de um condutor – por isso o nome ‘efeito pele’).

A maioria das máquinas de fabricação de cabos existentes no mercado, só consegue trançar seus condutores a uma proporção de 300 voltas por metro. O processo desenvolvido e patenteado pela Zavfino, trança a uma taxa de até 16.000 torções por metro.

Segundo o fabricante os principais efeitos audíveis serão maior silêncio de fundo, uma notável precisão tímbrica, andamento (PRaT) absolutamente realista, e uma maior resolução e extensão em todas as faixas de frequências. E a técnica H- Wound pode ser usada em qualquer tipo de condutor.

A ESCOLHA DO GRAFENO PELA ZAVFINO

O grafeno é um alótropo de carbono, similar ao que conhecemos como grafite. Mas que tem características muito peculiares e desejáveis para aplicação em áudio, como maior condutividade elétrica, excelente propriedades de eliminação de cargas eletrostáticas, e alta resistência mecânica associada a extrema leveza e flexibilidade.

E quando aplicado como blindagem adicional nos cabos da Zavfino, o resultado é uma incrível melhora na proteção à interferências externas. Pois todo o ruído é direcionado ao terra, resultando em maior silêncio de fundo, melhorando audivelmente as nuances na micro-dinâmica.

O grafeno também é um bom isolante térmico – 30% superior – e cria uma barreira 100% anticorrosiva impedindo a chegada de oxigênio nos condutores, garantindo ainda mais a consistência dos sinais em nível molecular, e o mesmo desempenho sônico em toda a vida útil do cabo.

Falemos então do cabo Gold Rush, que utiliza três materiais distintos para os condutores (cobre, prata e ouro) e para o qual foram criadas técnicas especiais de construção que garantem níveis adicionais de blindagem, alta flexibilidade e peso reduzido, uma vez que pode estar ligado diretamente ao braço do toca-disco.

Sua fiação é baseada em um cabo de cobre PC-OCC single crystal recoberto com ouro 24K e torcido ao redor de fios sólidos de prata com 99.9998% de pureza. São adicionados dois níveis independentes de blindagem, uma delas com cobertura de 100% grafeno. Fazendo deste cabo uma referência em termos de condutividade e imunidade contra interferências eletromagnéticas.

Para o teste do toca-disco Zavfino ZV11X, a Audiopax também nos enviou o Gold Rush e dois interconexão: um RCA e um XLR Silver Dart – e um de força desta série do qual publicarei minhas impressões ainda neste segundo semestre, junto com o de caixa.

Para o teste usei a maior parte do tempo eles três juntos. O Gold Rush entre o Zavfino e o pré de phono Soulnote E-2, e os Silver Dart entre o Soulnote e o pré de linha Nagra Classic, e o XLR entre o Nagra Classic e os powers Nagra HD.
Fiz isso para ter absoluta certeza da assinatura sônica do trio, e seu grau de compatibilidades e performance ligado ao nosso Sistema de Referência, OK?

Bem, a primeira observação: o processo de limpeza ultrassônica na fabricação do cabo, parece fazer resultado sim no pré amaciamento dos cabos Zavfino, pois eles já saem tocando 90% do seu potencial. A única diferença que senti após 50 horas de audição, foi uma sutil melhora na profundidade e no foco e recorte das imagens sonoras. Nada de alteração nas pontas do equilíbrio tonal, algo tão comum na esmagadora maioria dos cabos.

Você que não tem paciência para amaciar nada, essa é uma boa notícia!

Comecei primeiramente pela avaliação do Gold Rush, já que o primeiro produto a entrar em teste da Zavfino foi o ZV11X (leia teste na edição 317).

E tenho que concordar com a maioria dos audiófilos que, em inúmeros fóruns de discussão, ficaram surpresos como seus setups melhoraram.

É de longe o melhor cabo de braço que já testamos, e que eu tive em meus sistemas. Sua recuperação e organização de microdinâmica, algo essencial para uma reprodução de nível no analógico, é extraordinária!

É chocante reouvir gravações que te acompanham a meio século, e ainda assim ter ‘revelações’ de detalhes que nenhum upgrade anterior realizou! Você tem ideia do significado desta observação, meu amigo? O peso que isso tem, a quem busca dar o máximo de resolução possível ao seu setup analógico?

E que muitos até desdenham que a troca do cabo do braço possa beneficiar em algo, como já ouvi dezenas de vezes.
Foi tão impactante, que fiquei me perguntando o quanto de peso teria na nota final de uma cápsula, sendo avaliada em conjunto com esse cabo.

Alteraria quantos pontos na nota da cápsula? Pois não tenho dúvida que alteraria.

Às vezes achamos que nosso sistema já está completamente ajustado, e nos deparamos com essas ‘surpresas’ de um cabo de braço fazer tanto por um valor plausível, em um sistema Estado da Arte.

O silêncio de fundo deste cabo é admirável em todos os aspectos, pois não só emerge informações antes escondidas em camadas de ruído mecânico do analógico, como descongestiona e areja a outra ponta.

Fiquei surpreso quanta informação de ambiência, decaimento de pratos de andamento, se tornaram muito mais claros e verossímeis.

Até o ‘hiss’ das fitas master em gravações dos anos 60 e 70, ficaram mais audíveis.

Um cabo deste nível de performance, será total perda de tempo querer avaliar os oito quesitos de nossa Metodologia, pois ele extrapola o correto em muitos degraus.

Esqueça querer avaliar o equilíbrio tonal, ou a qualidade do soundstage, ou texturas, transientes, corpo harmônico e dinâmica.

Pois o nível de qualidade desses quesitos será unicamente da qualidade da gravação que você esteja ouvindo.
O que você deve fazer é simplesmente observar tudo que suas gravações fatalmente irão ganhar, uma a uma.
Pois nada soará do patamar que você julgava já ser satisfatório.

Então tudo que posso dizer a você é: se possui um setup analógico acima de 100 pontos (na nossa Metodologia), ouça e realize esse upgrade em seu sistema, e descubra o quanto ele irá mudar de patamar!

Os dois cabos de interconexão Silver Dart têm, como todos os produtos deste fabricante, uma qualidade de construção irretocável!

Parece que os detalhes foram trabalhados ao extremo. Um esmero na apresentação, que nos faz questionar a razão de cabos que custam, às vezes, cinco vezes mais, não terem.

Novamente deixamos ambos amaciando por 50 horas, e as mudanças foram tão sutis, que chegamos à conclusão de que estes também podem já ser colocados e apreciados imediatamente.

Assim como o Gold Rush, seu silêncio de fundo nos permite resgatar toda a micro-dinâmica existente nas gravações – e digo todas, sem restrição.

O equilíbrio tonal é perfeito, com graves encorpados, com excelente deslocamento de ar e um belíssimo corpo e peso.
Para se ouvir rock progressivo, um gênero em que frequentemente não teve a sorte de ter tido boas gravações, o Silver Dart será um alento.

A região média é de uma riqueza e detalhamento na medida certa. Nunca caindo para o lado do analítico e frio, e muito menos para o quente/vintage.

E os agudos possuem extensão, velocidade, corpo e decaimento exemplares, mesmo para cabos muito mais famosos e caros!

Seu soundstage é muito bom em termos de 3D, e seu foco, recorte e apresentação de planos são referenciais.

Para amantes de música clássica, a linha Silver Dart é uma das melhores opções possíveis no mercado. Texturas ricas, intencionalidades audíveis desde a qualidade do instrumento, do instrumentista e do grau de complexidade da obra imprimida pelo compositor.

Tudo sem esforço, sem ter que ampliar a concentração, tudo chega até você de maneira prazerosa e confortável.
Se você tem, como eu, predileção ao ouvir analógico pela qualidade das texturas, de novo esses cabos precisam estar no seu radar de upgrades.

Os transientes nesses Zavfinos são exemplares. Não sou nenhum fanático pela banda Dire Straits – gosto, mas não está na minha Playlist permanente, mas tenho que reconhecer que ouvi os dois lados do disco e com um grau de satisfação alto.

Justamente pelo fato de ser uma gravação em que o tempo e andamento necessitam estar rigorosamente precisos e, com o Silver Dart isso ocorreu naturalmente.

Se a micro-dinâmica é excepcional, não será diferente a macro-dinâmica deste cabo. Ouvi as tablas dos discos do grupo Shakti, grudado na cadeira com o coração acelerado. Impressionante a força e a pressão sonora que essa gravação tem com o Silver Dart.

E na hora que ouvi Sagração da Primavera de Stravinsky e a Sinfonia Fantástica de Berlioz, nos fortíssimos, eu só me perguntei como não havia escutado essas gravações dessa maneira antes?

Quer entender definitivamente a importância do corpo harmônico para o seu cérebro? E a diferença entre o corpo harmônico de uma gravação reproduzida em um setup digital e um analógico? Pois bem, com o Silver Dart e o Gold Rush as diferenças ficam simplesmente escancaradas à nossa frente.

As vozes do coral do Quarto Movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, quando entram, ocuparam o fundo da minha sala de ponta a ponta.

Algo admirável, emocionante e inédito!

E ao reproduzir essa mesma faixa no sistema digital, o coral ocupa um pouco mais que a abertura total entre as caixas. Este é o exemplo mais contundente de como o digital ainda não chegou lá em termos de corpo harmônico.
E no conjunto Gold Rush e Silver Dart, esse exemplo é contundente!

Eu materializei o acontecimento musical o tempo todo enquanto testei estes cabos no nosso sistema analógico. Então, descrever a beleza do quesito organicidade com esses cabos, será pura redundância!

CONCLUSÃO

Todo leitor que nos acompanha e confia em nossas avaliações, a primeira conclusão que deve estar chegando é: “tenho que ficar de olho nesse fabricante canadense”.

Pois não prestar atenção no que a Zavfino está oferecendo, e a que preço ela disponibiliza seus produtos, será um erro tolo (para ser extremamente polido, rs).

Esse fabricante sabe exatamente o que está fazendo, e onde deseja chegar.

Se este é o caminho que você também deseja trilhar, de sempre buscar o melhor equilíbrio entre custo e performance, eis uma opção bastante consistente.

Tanto seus toca-discos como cabos e acessórios, parecem estar muito acima das expectativas até dos mais exigentes e experientes.

Eu os manteria ‘no radar’ permanentemente.

Se você está pensando em realizar upgrades no seu setup analógico, principalmente no braço, minha dica número um: Gold Rush. Este cabo não sairá do meu sistema.

E se você deseja um cabo Estado da Arte Superlativo, peça para ouvir o Silver Dart. Ele pode te surpreender tanto, como me surpreendeu. Tanto que o RCA, também ficará em definitivo no setup analógico!


PONTOS POSITIVOS

Construção e performance impecáveis.

PONTOS NEGATIVOS

Absolutamente nada.


ESPECIFICAÇÕES – ZAVFINO SILVER DART

CondutorOCC (cobre monocristalino)
SP-OCC (cobre monocristalino revestido de prata)
ConstruçãoH-Wound™ com 16.000 torções/metro
Limpeza ultrassônica e com alta tensão
Criogenização somente do condutor
DielétricosPTFE, Santoprene TPV e Grafeno
BlindagensMylar aluminizado
Filme de Grafeno selante
ConectoresTeflon com pinos OCC banhados a ouro 24k

ESPECIFICAÇÕES – ZAVFINO GOLD RUSH

CondutorCobre PC-OCC banhado a ouro 24k
Prata sólida de alta pureza (99.9998%)
ConstruçãoH-Wound™ com 16.000 torções/metro
Limpeza ultrassônica e com alta tensão
Criogenização somente do condutor
DielétricosFEP/Tef, PTFE e Grafeno
Silicone com malha de fibra de vidro
BlindagensMylar aluminizado com malha de cobre revestida de prata
Filme de Grafeno selante
AterramentoCabo 50cm SPOFC
Conector de cobre OCC banhado a ouro 24k
ConectoresTeflon com pinos OCC banhados a ouro 24k
CABOS ZAVFINO SILVER DART & GOLD RUSH
Equilíbrio Tonal 13,0
Soundstage 13,0
Textura 13,0
Transientes 13,0
Dinâmica 13,0
Corpo Harmônico 14,0
Organicidade 13,0
Musicalidade 14,0
Total 105,0
VOCAL                    
ROCK, POP                    
JAZZ, BLUES                    
MÚSICA DE CÂMARA                    
SINFÔNICA                    
ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO



Audiopax
atendimento@audiopax.com
(21) 2255.6347
(21) 99298.8233
Gold Rush (1,5m): R$ 12.000
Silver Dart (1m): R$ 18.000

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