MUSICIAN – Discografia: O Neobarroco e o Neoclassicismo do Século XX – VOL. 14

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Christian Pruks
christian@clubedoaudio.com.br

A pesquisa para a seleção das faixas do CD deste mês gerou descobertas muito interessantes, como a Sinfonia nº 2 de Kurt Weill, a pouco executada suíte sinfônica baseada na ópera Gloriana de Benjamin Britten, ou mesmo a interessante história por trás da composição e estreia do Quarteto para o Fim dos Tempos, de Olivier Messiaen – a qual para mim demonstra a tremenda e inegável importância da música para todos nós.

FAIXA 1 – FERRUCCIO BUSONI (1866-1924) – CONCERTO PARA PIANO – V. CANTICO: LARGAMENTE (1904) – (NAXOS 8.572523, FAIXA 5)
Busoni era um pianista virtuoso, e seu Concerto para Piano é dos mais extensos já compostos, cujas apresentações superam 70 minutos. Sua escrita pouco usual inclui uma orquestra grande e um coro masculino que canta versos do drama Alladin, do poeta e dramaturgo dinamarquês Adam Oehlenschläger – considerado como o introdutor do Romantismo na literatura de seu País. Não foi o primeiro concerto para piano a incluir um coro no movimento final, sendo que o alemão Daniel Steilbelt e o austríaco Henri Herz já haviam feito isso em 1820 e 1858, respectivamente. A primeira apresentação da obra foi em 10 de novembro de 1904, na Beethoven-Saal, em Berlim, com o próprio Busoni ao piano e Karl Muck regendo a Orquestra Filarmônica de Berlim.

FAIXA 2 – DARIUS MILHAUD (1892-1974) – A CRIAÇÃO DO MUNDO (1923) – (NAXOS 8.557287, FAIXA 1)
Após uma viagem aos EUA, onde teve contato com o jazz, Milhaud compôs o balé A Criação do Mundo, baseado no folclore africano, que usa várias ideias jazzísticas em sua composição. As temáticas africana e afro-americana estavam na moda em Paris, na época. Foi uma encomenda da companhia sueca Ballets Suédois, competidores da famosa Ballets Russes de Sergei Diaghilev, e é uma obra que reflete os ideais de combinação de formas populares de arte, típicos do Grupo dos Seis (Les Six). Estreou na temporada de 1923 do Ballets Suédois, juntamente com o único balé composto por Cole Porter, chamado de Within the Quota.

FAIXA 3 – ARTHUR HONEGGER (1892-1955) – PACIFIC 231 (1923) – (NAXOS 8.555974, FAIXA 6)
Honegger sempre foi um entusiasta de trens, chegando a dizer que não só considerava-os como seres vivos, mas também que os adorava como outras pessoas adoram mulheres ou cavalos. O poema sinfônico Pacific 231, portanto, refere-se a uma locomotiva a vapor, sendo que Pacific é uma classe de locomotivas e 231 é a designação e a classificação do arranjo de rodas da mesma. Portanto, 231, no sistema de classificação francês, designa uma locomotiva com dois eixos guia, três eixos principais e um eixo traseiro. No sistema de classificação Whyte, usado nos EUA e em várias outras partes do mundo, que leva em conta o número de rodas e não o número de eixos de uma locomotiva a vapor, ela se chamaria, portanto, ‘Pacific 462’.

FAIXA 4 – KURT WEILL (1900-1950) – SINFONIA No 2 – III. ALLEGRO VIVACE (1934) – (NAXOS 8.557481, FAIXA 3)
A Sinfonia n.º 2 de Weill foi seu último trabalho puramente orquestral, composto em 1934 após a estreia na Broadway do famoso musical A Ópera dos Três Vinténs, e logo quando chegou a Paris, fugido do Nazismo. A obra estreou pelas mãos do maestro Bruno Walter em Amsterdã em outubro e, em Nova York, em dezembro do mesmo ano. A Sinfonia n.º 2
foi uma encomenda da mecenas Princesse de Polignac – que já havia encomendado obras de Stravinsky, Satie e Poulenc, além de subsidiar artistas como Arthur Rubinstein e Vladimir Horowitz. Sua estreia não causou grande entusiasmo, e a obra só chegou a fazer parte do repertório clássico na década de 1980.

FAIXA 5 – OLIVIER MESSIAEN (1908-1992) – QUARTETO PARA O FIM DOS TEMPOS – VII. FOUILLIS D’ARCS – EN – CIEL, POUR L’ANGE QUI ANNONCE LA FIN DU TEMPS (1940) – (NAXOS 8.554824, FAIXA 7)
Em 10 de maio de 1940, a França e os Países Baixos foram invadidos pelo avanço do Nazismo. Messiaen, então soldado do Exército Francês, foi capturado nos meses seguintes e tornou-se prisioneiro de guerra em um campo de concentração alemão situado onde hoje é a cidade de Zgorzelec, na Polônia. Enquanto prisioneiro, conseguiu compor o Quarteto para o Fim dos Tempos, para clarinete, violino, violoncelo e piano – pois haviam, no campo, um clarinetista, um violinista e um violoncelista. A obra foi apresentada em 15 de janeiro de 1941, no pátio do campo de concentração, na chuva, com outros músicos prisioneiros, usando instrumentos de péssima qualidade e em péssimo estado, pois eram os únicos disponíveis, para uma plateia de aproximadamente 400 prisioneiros e guardas. Messiaen depois declarou que nunca foi ouvido com tanta atenção e compreensão como nessa estreia.

FAIXA 6 – PAUL HINDEMITH (1895-1963) – METAMORFOSES SINFÔNICAS SOBRE TEMAS DE CARL MARIA VON WEBER – TURANDOT: SCHERZO (1943) – (NAXOS 8.553078, FAIXA 8)
Uma das obras mais populares de Hindemith, agrega vários temas e melodias do compositor alemão Carl Maria von Weber, que foi um dos precursores do Romantismo alemão no início do século XIX. A ideia da obra, dada pelo coreógrafo Léonide Massine, era de fazer um balé com rearranjos da música de Weber. Hindemith deu preferência à versão sinfônica da obra e, tendo em mente a virtuosidade das orquestras norte-americanas da época, deu o nome à obra originalmente em inglês, em vez de alemão. O segundo movimento, Scherzo, usa temas tirados da música incidental que Weber escreveu para a peça Turandot, de Carlo Gozzi. A estreia da obra foi em 20 de janeiro de 1944, com Artur
Rodzinsky regendo a Orquestra Filarmônica de Nova York.

FAIXA 7 – BENJAMIN BRITTEN (1913-1976) – GLORIANA (SUÍTE SINFÔNICA) – X. GLORIANA MORITURA (1954) – (NAXOS 8.556838, FAIXA 9)
Em 1953, Britten compôs a ópera Gloriana, para comemorar a coroação da Rainha Elizabeth II. Considerada a ópera problemática do compositor, não foi muito bem recebida e foi acusada de controversa e moderna demais, tanto em sua forma quanto em relação à temática, para a plateia da época. No fim de 1954, Britten rearranjou a ópera em forma de suíte sinfônica, sendo o último movimento, Gloriana Moritura, quando a rainha enfrenta sua própria morte.

FAIXA 8 – FRANCIS POULENC (1899-1963) – ELÉGIE PARA TROMPA E PIANO (1957) – (NAXOS 8.553614, FAIXA 25)
Composta em 1957 por Poulenc, foi ouvida pela primeira vez em um programa da BBC, e publicada no ano seguinte, pela Chester. A obra foi dedicada pelo compositor ao trompista britânico Dennis Brain, considerado um grande virtuoso no instrumento, que morrera naquele mesmo ano em um acidente de carro. Vários compositores famosos haviam escrito obras especialmente para Dennis Brain tocar, como Serenade for Tenor e Horn and Strings, de Benjamin Britten, e o Concerto para Trompa e Orquestra de Paul Hindemith.



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Ouça um minuto de cada faixa do CD história da música – O PRELÚDIO DE UMA NOVA ERA (II) – VOL. 14:

Faixa 01
Faixa 02
Faixa 03
Faixa 04
Faixa 05
Faixa 06
Faixa 07
Faixa 08


Em comemoração aos 23 anos da revista, selecionamos essa matéria da edição 196.

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