MUSICIAN – Bibliografia II: A MÚSICA RUSSA E NORTE-AMERICANA DO SÉCULO XX

MUSICIAN – Discografia: A MÚSICA RUSSA E NORTE-AMERICANA DO SÉCULO XX – VOL. 15
agosto 16, 2019
MUSICIAN: Bibliografia: A MÚSICA RUSSA E NORTE-AMERICANA DO SÉCULO XX
agosto 16, 2019


Christian Pruks
christian@clubedoaudio.com.br

George Gershwin: nascido no Brooklyn, em Nova York, em 1898, filho de imigrantes judeus russos. Foi criado na comunidade judaica de Nova York e, aos dez anos, fascinado pelo som do violino, interessou-se por música e começou a estudar no piano que fora comprado para o irmão Ira Gershwin. Teve como mentor o pianista Charles Hambitzer, da Beethoven Symphony Orchestra, que ensinou a Gershwin técnica de piano e música clássica europeia. Seu primeiro emprego foi como demonstrador de música, e logo algumas de suas canções fizeram sucesso. A seguir, foi arranjar e gravar em uma empresa que fazia rolos de música para pianolas e, depois, compôs para musicais da Broadway e começou a colaborar com seu irmão Ira. Após compor Rhapsody in Blue, passou um tempo em Paris, onde escreveu a célebre obra Um Americano em Paris. Logo em seguida, compôs sua mais famosa ópera, Porgy and Bess, da qual se originaram canções famosas como Summertime. Em seus últimos anos, foi trabalhar em Hollywood, onde teve um longo relacionamento com a compositora Kay Swift. Em 1937, sofrendo de dores de cabeça e problemas de coordenação, foi diagnosticado com um tumor no cérebro, falecendo aos 38 anos, em 1937, após uma tentativa de cirurgia.

Sergei Prokofiev: nascido em Sontsovka, na Ucrânia, em 1891, então parte do Império Russo. Sua mãe dedicava dois meses por ano a aprender piano, o que inspirou Prokofiev. Aos nove já havia composto sua primeira ópera. Aos 11 anos, teve como mestre o compositor Reinhold Glière em 1902 e 1903, cujos ensinamentos foram considerados por Prokofiev como ‘quadrados’. Depois conheceu o compositor Alexander Glazunov, que incentivou sua entrada no Conservatório de São Petersburgo, tendo como professores Lyadov e Rimsky-Korsakov, e onde foi considerado um rebelde musical. Em 1911, foi a Paris e Londres, onde conheceu os Ballets Russes, de Sergei Diaghilev, que encomendou seu primeiro balé: Chout (The Fool). Durante a guerra retornou ao conservatório, mas sem espaço para sua música mais experimental, deixou a Rússia em 1918, para os EUA, onde não obteve trabalho estável, mudando-se finalmente para Paris dois anos depois, onde compôs óperas, balés e sinfonias. Na década de 1930, estava tendo mais encomendas na União Soviética do que em Paris, mudando-se para lá em 1936, onde seu trabalho passou então pelo escrutínio da União dos Compositores Soviéticos. O período levou a obras com temática soviética e russa, e a vários embates antisstalinistas, chegando a ter obras suas banidas pelo regime. Faleceu em 1953, aos 61 anos, de hemorragia cerebral.

Dmitri Shostakovich: nascido em São Petersburgo, na Rússia, em 1906, descendente de siberianos e poloneses. Criança prodígio musical, começou a aprender piano com sua mãe aos nove anos de idade. Aos 13, entrou para o Conservatório de Petrogrado, cujo diretor era Alexander Glazunov. Sua Primeira Sinfonia chegou a ser apresentada por Bruno Walter em Berlim, e por Leopold Stokowski nos EUA. Passou a dedicar-se à composição, com influências como a obra de Gustav Mahler, entre outros, escrevendo óperas e trilhas sonoras de filmes. Dois anos após a estreia de sua ópera Lady Macbeth of the Mtsensk District, em 1936, sua obra caiu no desfavor de Stalin e do Politburo, em um período de perseguição artística na União Soviética, e passou a compor praticamente só música para filmes – o que era favorecido por Stalin. Voltou a ser favorecido com sua Quinta Sinfonia. Não pode lutar na Segunda Guerra, mas sua Sétima Sinfonia ‘Leningrado’ serviu de incentivo patriótico às tropas. Em 1948, foi denunciado por escrever música inapropriada, perdendo privilégios. Sua recuperação política foi ajudada pela morte de Stalin e por sua entrada no Partido Comunista. Com a saúde há anos debilitada, faleceu de câncer do pulmão em 1975, em Moscou.

Samuel Barber: nascido em West Chester, na Pensilvânia, nos EUA, em 1910. Sua mãe, que era uma pianista, sua tia, uma contralto do Metropolitan Opera, e seu tio, um compositor de canções, foram grandes influências. Começou a estudar piano aos seis anos, e escreveu sua primeira composição aos sete. Aos 14, entrou para o Curtis Institute of Music para estudar piano e composição, onde conheceu seu companheiro de vida e parceiro de composição, Gian Carlo Menotti. Aos 20 e poucos anos já era um compositor requisitado e de sucesso, sendo desse período o famoso Adágio para Cordas, estreado em 1938. Barber serviu o exército na Segunda Guerra Mundial, durante a qual compôs a Symphony Dedicated to the Air Forces, cuja partitura destruiu anos depois. Após a rejeição à sua ópera Antony and Cleopatra, em 1966, Barber passou a sofrer de depressão e suas composições até o fim de sua vida passaram a ser consideradas contemplativas, porém não tristes. Faleceu em 1981, aos 70 anos, de câncer, em Nova York.

John Philip Sousa: nascido em Washington DC, nos EUA, em 1854, descendente de portugueses e alemães. Começou aprendendo violino com John Esputa, quando se descobriu que ele tinha ouvido absoluto. Na infância estudou violino, canto, flauta, piano e trompa, entre outros. Na adolescência alistou-se no Corpo dos Fuzileiros Navais como aprendiz, já que seu pai era trombonista na Banda dos Fuzileiros, onde permaneceu até os 20 anos de idade. Depois, em uma orquestra de fosso de teatro aprendeu regência. Em 1880, assumiu como regente da Banda dos Fuzileiros, depois permanecendo como regente da Banda Presidencial durante o mandato de cinco presidentes norte-americanos. Em 1892, organizou a Sousa Band, com a qual se apresentou até o fim de sua vida, chegando a apresentar-se em paradas, passando pelo Arco do Triunfo, em Paris. Sousa casou-se em 1879, tendo duas filhas e um filho, John Philip Jr. Faleceu em 1932, do coração, em um quarto do Abraham Lincoln Hotel, na Pensilvânia.

Leonard Bernstein: nascido em Lawrence, no Massachusetts, em 1918, filho de judeus ucranianos. Batizado Louis, era chamado pela família de Leonard. Começou a aprender música no piano adquirido de uma prima. Estudou música na Universidade de Harvard, tendo como influências Dmitri Mitropoulos e Aaron Copland, depois regência no Curtis Institute of Music, com Fritz Reiner, e em Tanglewood com Serge Koussevitzky, de quem se tornou assistente. Tornou-se famoso ao substituir Bruno Walter, que estava doente, frente à Filarmônica de Nova York. Após a Segunda Guerra, sua carreira como maestro e compositor deslanchou internacionalmente, regendo estreias mundiais de obras de Messiaen, Britten, Ives, entre outros, ao mesmo tempo palestrando e ensinando em várias instituições, atuando como educador de música até o fim de sua vida. Em 1958, substituiu Mitropoulos como diretor artístico da Filarmônica de Nova York, ficando até 1969. Depois, continuou a compor e a apresentar-se com várias orquestras norte-americanas e europeias, regendo tanto ópera quanto música de concerto, fazendo gravações por vários selos e produzindo documentários para TV sobre música. Sofrendo de enfisema pulmonar, faleceu de ataque cardíaco aos 72 anos, em Nova York, em 1990.

Aaron Copland: nascido no Brooklyn, em Nova York, em 1900, de uma família de judeus de origem lituana, cujo sobrenome original era Kaplan. Sua mãe, que cantava e tocava piano, providenciou aulas de música para todos os filhos. Sua primeira composição foi aos sete anos, mas só aos 15 que resolveu que seguiria a carreira de compositor, estudando com Rubin Goldmark, que lhe deu uma base sólida, e depois com Victor Wittgenstein. Na década de 1920 foi a Paris estudar com Nadia Boulanger, além de ser influenciado pela cena literária e artística de Paris dessa época. De volta aos EUA, estabeleceu-se em Nova York, onde passou a viver frugalmente, em contato com vários artistas de ideal democrático, formando alianças e amizades com diversos compositores contemporâneos, compondo prolificamente. Na década de 1950, foi estudar em Roma e ter contato com compositores de vanguarda, viajando extensamente à Europa e indo até o Japão. Em seus últimos anos, passou a dedicar-se à regência, frente a várias orquestras norte-americanas e inglesas. Faleceu em 1990 de Mal de Alzheimer, em North Tarrytown, no Estado de Nova York.

Aram Khachaturian: nascido em Tbilisi, na Geórgia, em 1903, então Império Russo. Apesar de mostrar grande talento, aprendendo sozinho a tocar piano e tuba ainda na infância, não veio de uma família musical e começou a estudar violoncelo e, depois, composição, somente na década de 1920. Em 1929, foi estudar orquestração com Sergei Vasilenko e composição com Nikolai Myaskovsky no Conservatório de Moscou. Sua maior influência foi a música folclórica, principalmente de seu País ancestral, a Armênia, por onde viajou e pesquisou música extensamente. Apesar de fazer parte do Partido Comunista e do Sindicato dos Compositores, teve problemas no fim da década de 1940, juntamente com Shostakovich e Prokofiev, com o Comitê Central do Partido, que denunciou sua música como inapropriada e a mesma foi banida. Nos anos seguintes, voltando a ser favorecido pelo partido, suas obras ganharam os Prêmios Stalin e Lenin, entre outros. Faleceu em Moscou em 1978, pouco antes de completar 75 anos.

Ferde Grofé: nascido em Nova York, em 1892, descendente de uma família de franceses a qual já havia tido quatro gerações de músicos. Seu pai era um barítono, e sua mãe, Elsa, uma violoncelista profissional que começou a ensinar violino e piano a Grofé, cujo avô fazia parte da orquestra do Metropolitan e o tio era spalla da Sinfônica de Los Angeles. Em 1899, foi estudar piano e composição em Leipzig. Seu domínio sobre vários instrumentos levou Grofé a ser o primeiro arranjador de obras dos outros, antes de compor suas próprias. Fugido de casa aos 14, teve vários tipos de empregos até conseguir trabalhar como músico e compor. Trabalhou em programas de música no rádio, regeu diversos concertos no Carnegie Hall e, em 1937, um concerto tributo a Gershwin no Estádio Lewisohn. Serviu como juiz em vários concursos musicais. Depois se tornou regente e professor da prestigiosa Juilliard School of Music, e compôs várias trilhas para filmes. Foi casado três vezes e teve quatro filhos. Faleceu em Santa Monica, na Califórnia, aos 80 anos, em 1972.

LINHA DO TEMPO


1854 – Nasce o compositor norte-americano John Philip Sousa, em Washington DC.
1891 – Abre o Carnegie Hall, em Nova York. Nasce Sergei Prokofiev, na Ucrânia.
1892 – Nasce Ferde Grofé, em Nova York.
1898 – Nasce George Gershwin, em Nova York.
1900 – Nasce Aaron Copland, em Nova York.
1903 – Nasce Aram Khachaturian, em Tbilisi, na Geórgia.
1906 – Nasce Dmitri Shostakovich, em São Petersburgo,
na Rússia.
1909 – Stravinsky compõe o balé O Pássaro de Fogo.
1910 – Nasce Samuel Barber, em West Chester, na Pensilvânia.
1918 – Falece Debussy, em Paris. Nasce Leonard Bernstein,
nos EUA.
1924 – Gershwin compõe Rhapsody in Blue.
1931 – Grofé compõe sua Suíte Grand Canyon.
1932 – Falece Sousa, aos 77 anos, em Reading, na Pensilvânia.
1936 – Prokofiev compõe Pedro e o Lobo. Barber compõe seu Adágio para Cordas.
1937 – Pablo Picasso pinta seu famoso quadro Guernica. Carl Orff compõe Carmina Burana. Falece Gershwin, em Los Angeles. Shostakovich compõe sua Quinta Sinfonia.
1942 – Khachaturian compõe seu balé Gayane. Copland compõe a Fanfarra ao Homem Comum.
1953 – Falece Prokofiev.
1971 – Falece Stravinsky, em Nova York.
1972 – Falece Grofé, em Santa Monica, na Califórnia.
1975 – Falece Shostakovich, em Moscou.
1978 – Falece Khachaturian, em Moscou.
1981 – Falece Barber, em Nova York.
1990 – Falece Bernstein, em Nova York. Falece Copland, em North Tarrytown.

CURIOSIDADES
  • Por sua habilidade na composição de marchas, Sousa foi chamado de ‘O Rei das Marchas’ ou, algumas vezes, de ‘O Rei Americano das Marchas’, devido ao inglês Kenneth J. Alford também ser chamado de ‘O Rei das Marchas’.
  • Apesar de Sousa ter entrado na adolescência para a Banda dos Fuzileiros Navais, por um breve período ele tocou percussão em uma banda de circo do célebre showman PT Barnum, cujo circo depois originou o conhecido Ringling Bros.
  • Um fabricante de instrumentos musicais da Filadélfia, J. W. Pepper, fabricou a pedido de Sousa um instrumento da família da tuba que ficasse apoiado no ombro esquerdo, podendo ser tocado enquanto se caminha. O instrumento acabou levando o nome de Sousaphone.
  • Após sua morte, Sousa foi inserido no Hall da Fama dos Grandes Americanos, uma honra dada a apenas 102 pessoas até hoje.
  • Durante seu longo período como aprendiz e, depois, frente à Banda dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da América, Sousa chegou à patente de Sargento. Apenas com a entrada dos EUA na Primeira Grande Guerra que Sousa foi promovido a Tenente da reserva e, depois, a Tenente-Comandante. Sousa, por ser financeiramente independente, doava todo seu salário – menos um dólar – todo ano para o fundo de ajuda aos marinheiros e fuzileiros.
  • Sousa era completamente contra a indústria fonográfica, chegando a declarar ao Congresso Americano que essas máquinas arruinariam o desenvolvimento musical do País, e que logo as cordas vocais seriam eliminadas dos seres humanos pelo processo evolutivo.
  • A irmã de George Gershwin, Frances, foi a primeira da família a ganhar dinheiro com seus talentos musicais, porém casou-se e passou a dedicar-se a ser mãe e dona de casa. Ao desistir da música, canalizou sua criatividade artística para a pintura – atividade a qual também era um hobby do irmão George Gershwin.
  • Na década de 1920, Gershwin passou um tempo em Paris tentando estudar com Maurice Ravel e com Nadia Boulanger, que o rejeitou como pupilo com medo de que o rigoroso estudo da música clássica arruinasse seu estilo naturalmente influenciado pelo jazz.
  • Começando na década de 1920, Grofé trabalhou longamente como arranjador na orquestra de Paul Whiteman. Um de seus mais célebres arranjos foi da obra Rhapsody in Blue de Gershwin, estabelecendo a reputação de Grofé entre os jazzistas, sendo esse o arranjo mais ouvido hoje em dia. Porém, um mal-entendido ocorreu entre Grofé e Gershwin, quando a obra apareceu registrada em nome de Grofé.
  • Em 1932, porque Paul Whiteman era muitas vezes chamado de ‘Rei do Jazz’, começaram a chamar Grofé ironicamente de ‘Primeiro Ministro do Jazz’.
  • Devido à quantidade de obras arranjadas por Grofé, e pelo pouco conhecimento da música norte-americana, o célebre maestro alemão Wilhelm Furtwängler chegou a reclamar que a América não tinha compositores, apenas arranjadores.
  • Aos nove anos de idade, Barber escreveu para sua mãe que estava muito preocupado, que era para ela não chorar, pois a culpa não era dela do fato de que ele não havia nascido para ser um atleta, e sim um compositor, e pedia que não o fizessem deixar isso de lado e ser mandado a jogar futebol.
  • Várias das composições de Barber foram encomendas de grandes nomes artísticos, como Vladimir Horowitz, Leontyne Price, Francis Poulenc e Dietrich Fischer-Dieskau.
  • Quando Barber tinha 28 anos, seu Adágio para Cordas foi apresentado pela Sinfônica da NBC sob a regência de Arturo Toscanini. O fato é que Toscanini, que raramente apresentava música de compositores norte-americanos, declarou que essa obra de Barber era ‘semplice e bella’ – simples e bonita.
  • Barber ganhou o Prêmio Pulitzer duas vezes: uma em 1958, com a ópera Vanessa, e outra em 1963, com o Concerto para Piano e Orquestra.
  • Aos sete anos de idade, Prokofiev também já havia aprendido a jogar xadrez, que se tornou uma de suas paixões, inclusive levando-o depois a jogar uma partida com o campeão mundial José Raúl Capablanca.
  • O segundo Concerto para Piano de Prokofiev causou certo escândalo em sua estreia em 1913, levando parte da plateia a sair no meio da apresentação com exclamações tipo ‘Ao inferno com essa música futurista!’ ‘Os gatos no telhado fazem música melhor!’.
  • Em 1914, Prokofiev finalizou sua participação no conservatório entrando na chamada ‘Batalha dos Pianos’, uma competição aberta aos cinco melhores alunos de piano. Prokofiev venceu com seu Concerto para Piano no 1.
  • Na estreia bem-sucedida do primeiro balé de Prokofiev, em 17 de maio de 1921, em Paris, entre os admiradores na plateia estavam Jean Cocteau, Igor Stravinsky e Maurice Ravel. Inclusive, Stravinsky chamou a obra de ‘uma peça de música moderna que eu posso ouvir com prazer’, e Ravel chamou-a de ‘uma obra de gênio’.
  • Prokofiev faleceu no dia em que a morte de Joseph Stalin foi anunciada, em março de 1953. Como ele vivia perto da Praça Vermelha em Moscou, durante três dias a multidão que velou Stalin tornou impossível que o cadáver de Prokofiev pudesse ser levado para o serviço funerário. O periódico de música da época noticiou a morte do compositor com uma nota breve na página 116, sendo que as primeiras 115 páginas da edição foram dedicadas à morte de Stalin.
  • Leonard Bernstein não era parente do compositor de Hollywood Elmer Bernstein, apesar de serem amigos. No mundo da música, geralmente eram diferenciados como ‘Bernstein do Oeste’ (Elmer) e ‘Bernstein do Leste’ (Leonard, que era radicado em Nova York).
  • Apesar de ser conhecido por ter tido relações tanto com homens como com mulheres, a bissexualidade de Bernstein era, à época, mais uma questão de especulação do que outra coisa qualquer. O fato é que ele acabou casando-se com a atriz costa-riquenha
    Felicia Cohn Montealegre em 1951, o que muitos consideravam ser pelas aparências. Em 1976, não mais escondendo sua homossexualidade, Bernstein separou-se de Felicia, porém no ano seguinte ela foi diagnosticada com câncer, e ele voltou para casa para cuidar dela até seu falecimento em 1978.
  • Bernstein esteve em sua vida envolvido em várias causas e organizações consideradas como de esquerda, chegando a ir parar na lista negra do Departamento de Estado dos EUA, apesar de nunca ter ido depor no infame Comitê de Atividades Não-Americanas do Senado.
  • Em 25 de dezembro de 1989, Bernstein regeu a Nona Sinfonia de Beethoven em um concerto em Berlim Oriental, como parte da celebração pela queda do muro de Berlim. Ele havia regido a mesma obra no dia anterior na Berlim Ocidental. O concerto foi transmitido ao vivo para mais de vinte Países e uma audiência estimada de cem milhões de pessoas. Para a ocasião, Bernstein substituiu, na letra do coral, a palavra ‘Alegria’ pela palavra ‘Liberdade’.
  • Shostakovich foi conhecido pela sua falta de zelo político, tanto que inicialmente não passou no seu exame de Metodologia Marxista, em 1926.
  • Em 1939, antes das forças soviéticas invadirem a Finlândia, o Secretário do Partido Comunista, Andrei Zhdanov, encomendou a Shostakovich uma peça de celebração, que seria tocada enquanto as tropas soviéticas marchassem por Helsinque. Porém, a campanha militar foi uma humilhação para o Exército Vermelho, e a peça Suíte sobre Temas Finlandeses foi apresentada somente em 2001, e Shostakovich nunca chegou a assumir sua autoria.
  • Em 1962, Shostakovich casou-se pela terceira vez, com Irina Supinskaya. Depois, o compositor disse a um amigo que o único defeito dela era ter 27 anos de idade, e que em todos os outros quesitos ela era esplêndida: alegre, esperta e adorável.
  • Em Paris, Copland procurou ter aulas com a célebre Nadia
    Boulanger, que tinha então apenas 34 anos. Sua primeira reação foi: ‘Até onde eu sei, ninguém pensa em estudar com uma mulher’. Depois de conhecê-la e ter aulas, acabou declarando: ‘Essa amazona intelectual não apenas é professora no conservatório, não apenas tem familiaridade com toda a música desde Bach até Stravinsky, como está preparada para qualquer coisa pior, como dissonâncias. Não se enganem… Mulher mais encantadora jamais viveu’.
  • Copland durante um tempo desempenhou um papel de liderança na Aliança dos Compositores Americanos, com intuito de regularizar os cachês das apresentações de música nos EUA e estimular essas apresentações. Depois, Copland acabou migrando para a entidade rival, a ASCAP. Através de royalties de seus grandes sucessos como compositor, de 1940 até sua morte, ele acabou juntando uma fortuna de vários milhões.
  • Por causa do clima político da época, e da suspeita de simpatias comunistas por parte de Copland, sua obra A Lincoln Portrait foi retirada do concerto inaugural do Presidente Eisenhower. Naquele mesmo ano, Copland foi chamado a depor frente ao Congresso, onde testemunhou que nunca havia sido comunista.
  • Copland influenciou o estilo de compor de vários compositores norte-americanos, incluindo seu amigo Leonard Bernstein, que por sua vez era também considerado o melhor regente das obras de Copland.
  • Apesar de ser membro do Partido Comunista, Khachaturian foi vítima da ira do mesmo com sua Terceira Sinfonia, considerada como inapropriada. Ironicamente, Khachaturian via a obra como uma expressão da alegria e orgulho do povo soviético e de seu grande País. O compositor, junto com Shostakovich e Prokofiev, teve suas obras banidas e foi obrigado a pedir desculpas públicas. O episódio deixou Khachaturian tão desgostoso com a injustiça, que pensou seriamente em mudar de profissão.

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