Teste 2: AMPLIFICADOR INTEGRADO ATOLL IN400SE

Teste 3: CABO USB DYNAMIQUE AUDIO APEX
junho 5, 2024
Teste 1: CAIXAS ACÚSTICAS ESTELON FORZA
junho 5, 2024

Fernando Andrette
fernando@clubedoaudio.com.br

Acompanho essa marca francesa faz um bom par de anos, e li alguns excelentes reviews sobre seus integrados, pré e powers.

Agora, com a marca distribuída oficialmente no Brasil pela Aura, de Novo Hamburgo – RS, nossos leitores poderão ter a oportunidade de conhecer melhor esse fabricante francês e apreciar sua interessante e coerente linha de produtos.
Um dado comum em todos os reviews que li é que todos, de maneira unânime, elogiam sua construção, acabamento e assinatura sônica, que prima pela precisão, velocidade e poder dinâmico.

Recebi o integrado IN400SE, top de linha, seis semanas antes do nosso Workshop Hi-End Show, então tive a oportunidade de ouvi-lo enquanto amaciava com todas as caixas que levaria para o evento, e à medida que vi seu grau de autoridade e compatibilidade com todas elas, cheguei à conclusão que o Atoll deveria ser apresentado pelo menos com um sistema.

E os nossos leitores que foram ao evento, e assistiram a apresentação do Sistema 4, com o transporte Primare D35, Merason DAC 1 Mk2, e caixas Audiovector QR 7, tiveram uma ideia bem consistente do poder de fogo desse integrado!

Escrevo faz pelo menos cinco anos sobre a evolução incessante dos integrados, e como eles são a opção mais ‘inteligente’ e viável para quem deseja um setup definitivo de alto nível, minimalista e que ocupe pouco espaço.
Minha decisão de só apresentar integrados neste primeiro Workshop foi minuciosamente pensada, buscando mostrar o que escrevo e defendo há tanto tempo.

No nosso segundo Workshop, no próximo ano, tenham certeza que manterei a mesma estratégia de só montar sistemas minimalistas, e com performances acima de 96 pontos. Para a nossa realidade, não vejo soluções mais inteligentes que montar um sistema em que o integrado seja o ‘cérebro’ do setup.

Para os que ainda resistem, achando que integrados, por melhor que sejam, não chegam ao patamar de um bom pré e power precisam, ao conhecer o Atoll IN400SE, repensar esse preconceito. Pois na verdade, esse integrado é a soma do pré amplificador PR400 e do amplificador AM400. Essa é uma cultura reproduzida pelos irmãos Stéphane e Emmanuel Dubreuil, desde a fundação da Atoll em 1997, que resolveram produzir equipamentos eletrônicos de áudio de excelente nível de qualidade, design e performance, mas a preços compatíveis com a realidade da esmagadora maioria dos audiófilos.

A Atoll projeta e fabrica todos os seus produtos na região da Normandia, no noroeste da França.

Se você tiver a minha idade, não vai querer desembalar esse peso pesado sem ajuda. Seu chassi é construído com uma placa de aço de 2mm, e um painel anodizado de alumínio de 10 mm. Os dissipadores são fabricados em maciços blocos de alumínio a partir de um processo desenvolvido pela própria Atoll. Esse é mais um fabricante que leva muito a sério as vibrações mecânicas, e procurou aliar um criativo processo de dissipação de calor que também ajuda a absorver com precisão as vibrações externas ao gabinete.

O fabricante afirma que 90% dos componentes de todos os seus produtos são de fornecedores localizados na França e na União Europeia.

Seu design pode dividir opiniões, mas não haverá espaço para críticas quando o usuário for utilizá-lo. No painel frontal temos um par de botões de alumínio para seleção de volume e seleção de entradas, e um conector para fone de ouvido. No meio dos dois botões, um display em cor azul com as informações referentes a entrada e volume.
Esse display, caso o usuário deseje, pode ser totalmente escurecido.

No painel traseiro, o IN400SE oferece cinco entradas RCA, um bypass dedicado para home theater e uma entrada XLR. Além de duas saídas de pré amplificador para potencial bi-amplificação ou para acionar subwoofer – ou usar o aparelho como pré de linha.

O fabricante disponibiliza uma opção do IN400SE com placa DAC com uma entrada USB-B, para decodificação de arquivos de até 24-bits/96kHz.

O controle remoto é completo, mas pessoalmente usei apenas o controle de volume, para operá-lo no Workshop.
Segundo o fabricante, o Atoll produz 160 Watts em 8 ohms, e 300 Watts em 4. Toda sua topologia é duplo mono, e os transistores de saída são MOSFET (oito por canal) com 93.400uF de capacitância de reserva na fonte, e com capacitores de entrada de áudio Mundorf. O fabricante também afirma que utiliza uma quantidade de feedback global muito baixa, e que emprega alta corrente nos estágios de driver para limitar a distorção.

O IN400SE trabalha os primeiros 10 Watts em classe A, antes de entrar em operação classe AB.

A lista de caixas utilizadas no teste foi: Estelon Aura, Estelon X Diamond Mk2, Audiovector QR 7, MoFi SourcePoint 10 e 8 (leia teste na edição de julho), Boenicke W5, Wharfedale Linton 85 anos, e Dynaudio Contour 30i. Fontes digitais: CD-Player Arcam CDS50, Transporte Primare D35, DAC Merason DAC1 Mk2, Transporte Nagra, TUBE DAC Nagra, e dCS LINA. Cabos de força: Transparent Reference G6 e Sunrise Lab Aniversário. Cabos de caixa: Virtual Reality Trançado, e Dynamique Audio Halo 2 e Apex. Cabos de interconexão: QED XLR Reference, Sunrise Lab Aniversário XLR e RCA, Dynamique Audio Zenith 2 RCA e Apex XLR. Cabo USB: Dynamique Audio Apex (leia Teste 3 nesta edição) e Kubala Sosna Realization.

O Atoll IN400SE chegou para teste com 50 horas de queima. Saiu já mostrando todo o seu incrível potencial. Casou como uma luva com a Dynaudio Contour 30i, e nas 100 horas a mais de queima, ambos fizeram um belo par.

Quem já teve Dynaudio, sabe o quanto essa caixa gosta de um amplificador que a coloque ‘nos trilhos’. Se você der a ela os Watts que necessita, ela simplesmente devolverá ao ouvinte cada centavo do investimento.

Como mostrei a todos que participaram do nosso Workshop Hi-End Show, é tudo uma questão de sinergia e pares com as mesmas características sônicas.

Se eu tivesse apenas no momento do teste a Dynaudio 30i, ficaria muito satisfeito com a performance do conjunto, mas estaria sub utilizando o Atoll, pois ele tem ainda mais garrafas para vender.

Esse foi o ponto central abordado no nosso Workshop. Aprender a entender o limite individual de cada componente, e como montar esse quebra cabeça, para que o elo fraco não limite todo o sistema.

E com todo esse arsenal de caixas e equipamentos disponíveis no momento da chegada do Atoll, foi delicioso descobrir qual seria o teto deste integrado. E foram seis semanas, repetindo os oito exemplos de cada um dos quesitos, ouvindo em todas as caixas e fontes.

A assinatura sônica deste integrado está mais para o lado quente que frio, porém não quer parecer um transistorizado com som de válvula. Diria que, de forma muito correta, seus projetistas se preocuparam muito mais com questões elementares como piso de ruído de fundo, dinâmica, transientes, palco e equilíbrio tonal, que dar um toque de calor ‘adicional’ para agradar aos que buscam um som eufônico para seus sistemas.

Seus graves são enérgicos, velozes e com excelente corpo. A região média possui o equilíbrio perfeito entre transparência e naturalidade. E seus agudos possuem boa extensão e bom decaimento.

Não há nenhuma restrição ao seu equilíbrio tonal. Pelo contrário, é bastante consistente e correto.

Gostei muito de seu foco, recorte e apresentação de ambiências. Com planos em gravações de música clássica muito bem apresentados tanto em termos de largura, como altura e profundidade. Ele realmente permitiu ouvir com precisão as qualidades e limitações de cada uma das caixas em relação ao soundstage.

As texturas são muito bem retratadas, tanto em termos de paleta de cores, como em intencionalidade. O ouvinte pode perfeitamente acompanhar e observar em detalhe qualidade dos instrumentos e virtuosidade dos músicos.

Se você deseja saber o ponto mais alto deste integrado, chegamos lá: transientes e dinâmica. Meu amigo, esses dois quesitos são pontos bem altos. Transientes são reproduzidos com enorme realismo e precisão, os tempos andamentos e ritmos são simplesmente inebriantes no Atoll. E a macro-dinâmica deste integrado é exemplar! E deveria ser estudada pela concorrência com afinco.

Os leitores que ouviram esse integrado reproduzindo Copland com os tímpanos soando no fortíssimo na Audiovector QR 7, são testemunhas do que estou tentando passar a vocês!

O Atoll IN400SE não perde o fôlego, além de manter a folga e total conforto auditivo!

A apresentação do corpo dos instrumentos é muito correta, fazendo com que nosso cérebro goste do que está ouvindo (novamente é só lembrar dos tímpanos do Copland). Tamanho muito próximo do real!

Com todos esses atributos, claro que materializar o acontecimento musical à nossa frente, não será nenhum esforço adicional a esse integrado.

Novamente recorro aos participantes que ouviram Maria Bethânia cantando Melodia Sentimental, ou Joe Cocker – You Are So Beautiful, ali na frente de todos os presentes no Workshop e nas Jam Sessions noturnas.

CONCLUSÃO

Dizem que as pessoas a partir de uma certa idade se tornam repetitivas – no meu caso eu preciso insistir com cada um de vocês para prestarem mais atenção na nova safra de espetaculares integrados que já estão no mercado.

Eles merecem essa atenção, pois eles fazem exatamente tudo que sempre desejamos de um sistema genuinamente hi-end. Com várias vantagens: custam menos que um pré e power, precisam de menos cabos, ocupam menos espaço e tem uma compatibilidade e sinergia com uma enorme quantidade de excelentes caixas hi-end!

Não dar atenção a essa ‘realidade’ é um erro imperdoável – acreditem em mim!Saber que posso ter um sistema hi-end superlativo ao alcance do meu sonho é o que irá manter a audiofilia viva. E esse sonho é realizável com a geração atual de integrados.

E o Atoll IN400SE é um dos expoentes dessa nova safra!


PONTOS POSITIVOS

Um integrado de excelente construção e performance.

PONTOS NEGATIVOS

O design pode não agradar a todos.


ESPECIFICAÇÕES

Potência de saída em 8Ω2× 160 W
Potência de saída em 4Ω2× 300 W
Fonte de alimentação1050 VA
Capacitores de fonte92 600 µF
Entradas7 (+1 BY-PASS)
Resposta de frequência5 Hz – 100 kHz
Impedância de entrada220 kΩ
Sensibilidade350 mV
Relação sinal/ruído100 dB
Distorção em 1 kHz0,05%
Dimensões (L x A x P)440 × 130 x 370 mm
Peso19 Kg

35

CAIXAS ACÚSTICAS ESTELON FORZA
Equilíbrio Tonal 13,0
Soundstage 12,0
Textura 13,0
Transientes 13,0
Dinâmica 12,0
Corpo Harmônico 12,0
Organicidade 12,0
Musicalidade 12,0
Total 99,0
VOCAL                    
ROCK, POP                    
JAZZ, BLUES                    
MÚSICA DE CÂMARA                    
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